Efeitos psicológicos do coronavírus. Como não surtar na quarentena?

Quais os prejuízos para saúde mental que já estamos vivenciando? Um psiquiatra e uma psicóloga respondem e dão dicas para não pirar de vez.

São Paulo – Em meio a dois notórios gatilhos de estresse, as preocupações com a saúde física e financeira, não tem sido fácil a vida de muitos brasileiros nos grandes centros urbanos. Com escolas, comércio, parques e empresas fechadas (ou na iminência), já se discute no meio científico sobre os efeitos da quarentena forçada pela pandemia de coronavírus na saúde mental.

A revista científica The Lancet divulgou uma revisão de pesquisas em que traz as sequelas da quarentena de 2002. Depois de isolamento durante o período da epidemia da síndrome respiratória aguda (SARS) 30% das pessoas tiveram sintomas de estresse pós-traumático e 31% foram diagnosticadas com depressão.

Psiquiatras e psicólogos já testemunham o crescer generalizado da tensão.  “As pessoas assistem como espectadoras suas empresas definharem e pensam em como vão poder pagar suas despesas. O medo do desemprego volta a assombrar”, diz a psicóloga Edwiges Parra, fundadora da EMIND Mente Emocional e colunista da VOCÊ S/A.

Edwiges, que é especialista em psicologia organizacional, também tem sentido um aumento do estresse entre os profissionais em home office compulsório. “Uma coisa é fazer home office uma ou duas vezes por semana voluntariamente, outra coisa é se ver confinado em quarentena. Tem uma curva de adaptabilidade”, diz.

Nesses primeiros dias, Edwiges ouviu queixas de mais horas de trabalho, além do aumento do estresse por conta da mudança de ambiente. Em um cenário de restrição e incertezas crescentes como o atual,  a produtividade cai e o número de horas dedicadas ao trabalho aumenta.

O psiquiatra Roberto Aylmer indica a falta de controle como um dos fatores mais angustiantes da experiência humana. A novidade é que a insegurança, como o coronavírus, é pandêmica: atinge a todos, o tempo todo no mundo todo. “Este é o clássico contexto VUCA (volátil, incerto – do inglês uncertain –  complexo e ambíguo, que sai dos mercados para a vida de todos”, diz.

A privação do contato social é um problema por si só, e nesse caso tem sido agravada pela desorganização do futuro. “Nosso cérebro precisa de uma base mínima de “certeza” no futuro para se organizar. Sem essa esperança, vemos os estados depressivos e apáticos que têm grande impacto sobre a capacidade de pensar e reagir de uma pessoa”, explica.

Na expectativa de um isolamento imposto pelo governo, nos moldes do que tem sido feito na Europa para mitigar riscos de transmissão da Covid – 19, há quem esteja se colocando e experimentando de antemão o cenário europeu.  “É gastar recursos psicológicos vivendo uma condição em que ainda não estou”, explica Edwiges. Longe de ignorar as recomendações de prevenção, a especialista indica menos ancoragem no futuro e mais no momento presente. “Olhar para isso momento a momento, e, em cada situação, e seguir orientações dos órgãos responsáveis”, diz.

Fonte: Vocesa.abril

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